Sidebar

26
Ter, Mar

Fonte
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

O 2° Congresso Nacional da CTB contou com a participação de cerca de 30 delegações internacionais, entre elas de Honduras, Cuba, Venezuela, Argentina, Chile, Uruguai, México, Vietnã, EUA, Japão, Nigéria e República do Congo.

Cada um dos representantes trouxe para o Congresso da CTB um pouco da realidade da organização dos trabalhadores em seus países, e demonstraram grande admiração pela forma como a CTB está organizada junto com seus sindicatos para vencer as investidas neoliberais e construir uma nação brasileira mais justa para todos.

Em entrevista à CTB, os delegados estrangeiros destacaram o alto nível de consciência política e de organização da Central, e o importante papel que ela cumpre na organização dos trabalhadores.


Federação Sindical Mundial

Representando a Federação Sindical Mundial (FSM), o peruano Valentim Pacho resumiu o 2° Congresso Nacional da CTB como um acontecimento de grande importância, devido ao contexto da crise do sistema capitalista, que ainda é um pretexto para que empresários e banqueiros tentem lucrar à custa dos trabalhadores.

Na opinião de Pacho, “a CTB tem muita importância, porque representa o movimento sindical de classe, com uma visão completa”, constituindo-se uma das centrais mais esclarecidas, política e ideologicamente, e que, inclusive, expande esta mobilização para o resto da América Latina.

Ainda sobre a realização do Congresso, Pacho destaca que “o movimento sindical tem muita expectativa a partir dos resultados deste congresso”, sendo, portanto, seus debates e resoluções fundamentais para que os trabalhadores do Brasil e da América Latina enfrentem as ofensivas das direitas na tentativa do continuísmo neoliberal.

Em nome da FSM, Valentim se demonstrou otimista com relação à organização dos trabalhadores em nível mundial, ressaltando as suas representativas demonstrações de disposição de luta por mudanças. “Creio que o movimento sindical na América Latina e em todo o mundo tem dado passos muito importantes na marcha pelas mudanças, e esta marcha não deve temer. Este será um ciclo de definições.”


Argentina: impressões e expressões

A Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) estava representada no 2° Congresso da CTB, também, pelo seu secretário de Relações Internacionais, Fernando Cardozo, que se manifestou admirado pelo alto nível de consciência política da CTB, por tratar a questão da luta de classes de forma completa, debatendo todos os seus aspectos, como saúde, educação, reforma agrária, comunicação. “A CTB faz um amplo debate que engloba a integralidade e a tradição do movimento sindical brasileiro.”

Questionado sobre a organização sindical argentina, Cardozo esclareceu que há grandes semelhanças entre a CTB e a CTA, respeitando as particularidades do Brasil as de seu país, que tem duas centrais sindicais: a CTI e a CTA. “A CTA é uma organização classista e combativa. Nos sentimos realmente muito próximos da CTB, porque concordamos com os encaminhamentos estratégicos que estão sendo adotados por esta central.”

Seguindo esta linha, Fernando afirmou que a realização do Congresso da CTB “é um passo muito importante, porque abre uma perspectiva distinta. Uma estratégia de mobilização e de transição para o socialismo. Creio que não é um passo, creio que é um grande passo para o socialismo. E considero que a classe trabalhadora não tem mais tempo para perder. O tempo é agora e temos que ter consciência para debater, mas não só para diagnosticar, para projetar.”


EUA também esteve lá 

Com a participação de um representante dos EUA, Ignacio Menezes, da Organização Sindical Laboral e do Sindicato Automotriz do Estado de Michigan, a crise do capitalismo foi debatida com depoimentos de quem viveu a realidade norte-americana, geradora de uma das mais graves crises financeiras e econômicas de toda a história.

“Nos EUA estamos sofrendo uma crise econômica, ecológica, financeira, quando os trabalhadores estão perdendo as suas casas para os bancos. A imprensa norte-americana calcula que no próximo ano se perderão 1 milhão e 800 mil casas.”

Porém, Menezes assegura que os trabalhadores têm dado demonstrações de que vão reverter este quadro, e que cobrarão do presidente Barack Obama o cumprimento de tudo o que prometeu. “Os trabalhadores norte-americanos têm a consciência política necessária para lutar e alcançar o que há de melhor em benefício dos trabalhadores, apesar de somente 12% da classe trabalhadora estar organizada em sindicatos.”

Ao se deparar com a massiva participação de trabalhadores junto com a CTB no Brasil, Ignacio exaltou a consciência política da direção da CTB e dos sindicatos a ela filiados. “Os membros da CTB têm uma consciência política muito avançada, não unicamente nacional, mas com solidariedade internacional.”

Neste sentido, para ele, o Congresso da CTB “é uma grande oportunidade para que os trabalhadores discutam os problemas e encarem os desafios que a classe trabalhadora brasileira vai enfrentar no futuro.”


O golpe em Honduras: relatos de um hondurenho

A representação de Honduras foi uma das mais homenageadas durante o 2° Congresso Nacional da CTB, por conta do golpe de Estado que esta nação sofreu.

Todas as intervenções do Congresso manifestaram total solidariedade ao povo hondurenho e enalteceram o papel que o Brasil está desempenhando para o desfecho positivo deste conflito, ao abrigar o presidente deposto Zelaya na embaixada brasileira em Honduras.

Walter Mandrique Juarez Hernandes trouxe aos delegados ao Congresso da CTB um pouco da realidade de seu país, saudou o povo brasileiro e o presidente Lula, e, em nome de sua nação, agradeceu pelo gesto do governo brasileiro e o seu compromisso com a democracia do mundo, com a democracia do Brasil e a democracia latino americana.

Denunciou, indignado, a onda de violência contra a população hondurenha: “de São Paulo, conclamo a comunidade internacional para que intervenha, para que não tenha um massacre no meu país. A população civil está desarmada e estão acontecendo vários ataques à embaixada. O embaixador e o departamento consular estão vomitando sangue, estão levando o país a uma guerra civil. Estão invadindo o território brasileiro, desrespeitando os acordos da ONU, dos direitos humanos.”

Ainda sobre as intervenções do Brasil e tentativas de intermediar o conflito em Honduras, Mandrique declarou esperançoso que acredita que todos os países da América Latina, principalmente, têm um compromisso com a democracia.
 
O representante de Honduras ainda agradeceu à direção da CTB e à organização do Congresso pela sua participação em um momento tão importante para a organização dos trabalhadores e alertou: “hoje pode ser Honduras, mas amanhã pode ser qualquer outro país.”

Por isso, ressaltou a urgência da mobilização dos povos para resistir às investidas neoliberais contra qualquer tentativa de comprometimento da democracia. “Como população, resistência, digo que golpe nunca mais! Queremos viver em uma democracia.”


Portal CTB - com Marcela F. Oliveira

0
0
0
s2sdefault

Quer saber o que acontece no movimento sindical e no mundo do trabalho?

Digite seu nome e e-mail para receber gratuitamente nosso informativo.