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Sáb, Jun

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Há mais de cem anos comemora-se o 8 de março como o dia internacional das mulheres, umas querem flores, demonstrações de carinho, beijos, almoços e jantares ou qualquer outra forma simbólica que expresse a lembrança do dia especial.

O comércio explora a data para vender tudo que a mulher gosta, os hotéis/motéis fazem promoções e oferecem pacotes especiais. Não há um segmento que não se aproprie do dia para lucrar, isso é bom? Sim, porque não. Ser o centro das atenções, ser cortejada e presenteada é algo que eleva a alma, mas não basta.

Porque existe o dia seguinte. O que ocorre no pós 8 de março? A vida retoma seu curso natural. A mesma mão que afaga e presenteia também machuca e humilha. O mesmo chefe que oferece os bombons e flores rebaixa os salários e pratica a discriminação de gênero.

O mês de março precisar dizer muito mais. As mulheres querem ser cuidadas, respeitadas, valorizadas o ano todo, a vida toda. Um dia não basta, nas palavras do poeta “É preciso ter raça, é preciso ter gana sempre, quem traz no corpo a marca, Maria, Maria. Mistura a dor e a alegria”. Para vencer o leão no dia a dia.

A luta é renhida e sem trégua, porque a violência, o preconceito, o machismo, o assédio, o racismo e todas as formas de discriminação se expressam nos gestos, nas palavras, nas atitudes e reforçam os estereótipos de gênero.

Parafraseando Simone de Beauvoir, ser mulher é tomar consciência de sua condição e como a divisão social e sexual impõe definições de homem e mulher, perceber que a sociedade adota conceitos diferenciados para subjugar e inferiorizar as mulheres, porque não se nasce mulher, torna-se.

A humanidade deve muito às mulheres, por tê-las submetido a confinamentos, castigos, violências e desprezo, mas em tempos de democracia pode-se ao menos tentar diminuir esse abismo social e reconhecer que elas sustentam a sociedade.

Suas dores vão desde o ato de parir outro ser/filhos, criar muitas vezes sozinhas, mesmo na companhia de maridos ausentes, administrar os parcos recursos familiares, enfrentar jornadas exaustivas de trabalho por um salário 30% menor que o dos homens, amar seus parceiros e/ou algozes, lutar pela superação das desigualdades, enfrentar o preconceito e a discriminação e ainda encontrar forças para solidariamente atender outras mulheres, e ainda estar sempre linda. Porque a mulher mais bonita é a que luta!

Tudo isso já foi dito centenas de milhares de vezes, porém nunca é demais repetir, e repetir milhões de vezes, para que a voz das mulheres seja ouvida, mesmo que os ouvidos de alguns não desejem ouvir. O que desejam as mulheres? Justiça, igualdade e oportunidade para superar as mazelas que o capitalismo impõe aos desfavorecidos. Um mundo em que homens e mulheres convivam respeitosamente, sem violência e exploração, onde a educação seja um direito inalienável no acesso e permanência. A saúde seja preventiva e acessível para todos.   

Por todas as que lutaram, por todas as que tombaram, por todas as que lutam e pelas que ainda lutarão. Sigamos unidas, até que todas sejamos livres, livres das amarras visíveis e invisíveis, livres dos dogmas, livres das culpas e ameaças.

Viva as mulheres, viva o mês de março. Viva a luta revolucionária e emancipacionista.

Raimunda Gomes é secretária nacional de Comunicação da CTB

 

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