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Nesta quarta-feira, 17 de abril, completam-se dois anos do golpe de Estado fantasiado de impeachment que afastou Dilma Rousseff da Presidência da República para nela instalar a “quadrilha mais perigosa” do Brasil (nas palavras do empresário Joesley Batista), liderada pelo senhor Michel Temer. Foram dois anos de brutal retrocesso nas relações sociais de produção, na economia, na política externa e na jovem e frágil democracia brasileira.
Ao assumir, Temer prometeu equilibrar a economia, combater a recessão e reduzir o desemprego. Ocorreu o contrário. A agenda de radical restauração neoliberal que vem implementando desde que assumiu ainda como interino em maio de 2016, associada aos estragos da Lava Jato, agravou sobremaneira a crise econômica, contribuindo para que o país acumulasse entre 2015 e 2016 uma queda de 7,2% no PIB, batendo todos os recordes da nossa conturbada história.

Desde 2017 o governo vem alardeando indicadores positivos que sinalizariam uma forte recuperação econômica. Mas a realidade teima em desmenti-lo, o que explica a alta, inédita e inarredável impopularidade, que não recua das casas dos 90%. O desemprego aberto rondando os 13%, somado ao desalento e ao subemprego, castiga mais de 26 milhões de trabalhadores e trabalhadoras. Um flagelo social, ao qual se soma o aumento substancial da pobreza extrema, revertendo o cenário criado pelos governos Lula e Dilma de redistribuição da renda em benefício das famílias mais pobres e vulneráveis.

As reformas de caráter neoliberal e descaradamente contra a classe trabalhadora e o povo estão associadas ao agravamento da crise econômica e social. O novo regime fiscal congela as perspectivas e possibilidades de desenvolvimento nacional, que não serão transformadas em realidade sem um forte aporte de recursos públicos para os investimentos em infraestrutura, saúde, educação, habitação e outras áreas. O emprego formal continua em trajetória de queda absoluta e relativa, enquanto a informalidade (emprego precário, sem carteira assinada, predominantemente) avança.

O Brasil retornou ao Mapa da Fome da ONU, do qual tinha saído durante o governo Lula. Em 2017 a pobreza extrema cresceu 11,2%, atingindo 14,83 milhões de pessoas. O golpe também está trazendo de volta o autoritarismo que muitos julgavam sepultado com o regime militar em 1985. Assistimos a um lastimável rejuvenescimento dos grupos de direita e extrema direita, uma ofensiva reacionária contra as universidades públicas, a negação do princípio constitucional da presunção de inocência, a condenação sem provas e a prisão arbitrária do ex-presidente Lula, cujo propósito maior é afastá-lo do pleito presidencial e consolidar o golpe, a criminalização das lutas sociais, o avanço inaudito da violência e da intolerância no campo e nas cidades.

Outro ponto em que o retrocesso é notável e provoca enormes prejuízos ao nosso povo relaciona-se à política externa. O Brasil virou motivo de piada e foi transformado num anão internacional em matéria de geopolítica sob a orientação tucana imprimida pelo governo golpista. A nação está novamente cultivando a hostilidade em relação ao projeto progressista de integração soberana da América Latina e Caribe, mais distante do Brics e submetida aos desígnios, consensos e ditames de Washington.

Em matéria de soberania nacional, o saldo não poderia ser pior. Temer está entregando o pré-sal ao capital estrangeiro, a base aérea de Alcântara aos EUA, promoveu uma renúncia fiscal estimada em R$ 1 trilhão em benefício das multinacionais do petróleo, quer privatizar (o que muito provavelmente significa desnacionalizar) a Eletrobras e transferir terras brasileiras a estrangeiros. O imperialismo, que inspirou a Lava Jato e instruiu o juiz Sergio Moro, foi o maior beneficiário do golpe.

Liderados por Michel Temer, os golpistas (com o respaldo da mídia burguesa, dos grandes capitalistas e do Judiciário) estão escrevendo uma página sombria e triste da história brasileira. A realidade está confirmando as denúncias, alertas e prognósticos das forças democráticas e progressistas sobre os desdobramentos do impeachment inconstitucional da presidenta Dilma, uma pessoa íntegra e honesta, que por cruel ironia foi derrubada em nome do combate à corrupção, o que faz do golpe uma farsa, pois é do conhecimento geral que através dele o Palácio do Planalto foi assaltado pelo grupo político mais corrompido de que se tem notícia em nossa história.

À classe trabalhadora e seus representantes não resta alternativa senão a da luta enérgica e sem tréguas contra o retrocesso, em defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais, pela liberdade de Lula e o seu direito de disputar as eleições de outubro. É isto que sinalizam as centrais com a manifestação unitária convocada para Curitiba no 1º de Maio. O golpe de 2016 não terá um futuro brilhante. Mais cedo ou mais tarde esta página triste da nossa história será virada.

Umberto Martins é jornalista e assessor da CTB

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