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Dom, Jan

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A situação que os especialistas previam foi confirmada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que divulgou uma nova data de previsão para que se esgote os recursos do “volume morto”: dia 27 de outubro.

Coincidentemente, a água deve acabar, segundo a Sabesp, um dia após a votação do segundo turno.

A informação foi confirmada pelo comitê anticrise que monitora a Cantareira e contraria a previsão anterior da Sabesp, de que os recursos abasteceriam o estado até o final de novembro.

A conta feita pela Sabesp é de que os 21,2 mil litros de água extraídos por segundo, em média, do Cantareira, aliado a um reabastecimento dos reservatórios de apenas 50% da mínima histórica, determinarão o fim do fornecimento de água no dia 27 de outubro.

A Sabesp considera um reabastecimento de 50% da mínima histórica, em média, porém, neste mês, a vazão foi de apenas 39%, o pior índice para o mesmo período desde 2000. Dessa forma, o déficit de água foi ampliado em 43,3 bilhões de litros.
Denuncias antigas

Não é de hoje que entidades denunciam a irresponsabilidade do governo estadual, que não tem tomado medidas para reverter o cenário.  “O governo paulista não tomou as providências necessárias para conter os efeitos da estiagem e agora busca paliativos para escamotear o problema”. Essa é a opinião do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema), Renê Vicente, para quem “a irresponsabilidade do governo do Estado é a principal causa da situação”.

“É necessário investir em novas tecnologias e no quadro de funcionários. Atualmente, a Sabesp conta com 15 mil trabalhadores concursados e 9 mil terceirizados e até quarteirizados. Isso afeta diretamente o problema da qualificação e da perda física [desperdício]”, alerta Vicente.

Dentro desse cenário de dúvidas não faltam acusações. O governo estadual culpa a população e o clima, ou seja, São Pedro.

Já os especialistas culpam o governo estadual e a política privatista do PSDB.  Para eles, a raiz do problema está na forma de gestão da empresa, que deixou de investir em novos mananciais para repartir o lucro entre os acionistas.
O que se sabe é que, em ano eleitoral, a palavra “racionamento” virou tabu para o governador Alckmin. Mas para os moradores da periferia o rodízio de água já faz parte do dia a dia.

Alguns munícipios já estão adotando o sistema. Os moradores do Grajaú, no extremo da zona sul, enfrentam essa situação. Na região pelo menos seis bairros convivem com essa rotina: Três Corações, Jardim Varginha, Sítio Arizona, Vila Rocha, Marsilac e Ilha do Bororé.
São bairros e ocupações formados em regiões altas - até 340 metros acima do nível das Represas Billings e do Guarapiranga -, onde as adutoras da Sabesp não têm pressão para manter abastecimento regular.

Na região do M’Boi Mirim, o Sítio Arizona, bairro mais alto ainda, tem falha de abastecimento para as 2.540 famílias carentes da localidade, apesar de estar cercada pelas represas.  “Aqui tem água para todo lado, só dentro de casa que não”, afirma Rubineia Oliveira, de 54 anos, que vai às margens da Represa Billings para lavar as roupas. “Lavar roupa em casa é uma vez por semana. A louça eu deixo acumular por três dias”.

Portal CTB com agências

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