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A última sexta-feira (29) começou muito cedo para os dirigentes sindicais e trabalhadores de diversas categorias, que antes das 4h da manhã, já estavam reunidos em frente a garagens de ônibus de Porto Alegre a fim de se somar a luta dos rodoviários por melhores condições de trabalho. Apesar do sucateamento do transporte público ser uma grande preocupação da sociedade como um todo, o projeto de lei das terceirizações foi o principal alvo das manifestações deste “Dia Nacional de Paralisação e Mobilização rumo à Greve Geral”, como foi batizado pela organização.

O PL, que atualmente tramita no Senado Federal, se aprovado possibilitará a ampliação da terceirização para as atividades-fim das empresas, hoje é permitido apenas para atividades-meio. Caso a lei seja aprovada, aqueles trabalhadores protegidos pela CLT ficarão expostos aos diversos riscos da terceirização. Segundo o Dieese, os terceirizados recebem 27% menos e trabalham três horas por semana a mais, além disso, a cada 5 mortes de trabalhadores, 4 são de terceirizados.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) ficou responsável por vigiar os portões da empresa de ônibus Carris, localizada na zona leste de Porto Alegre, de onde nenhum coletivo saiu até 8h30min. Mesmo com forte pressão da Brigada Militar, os manifestantes se mantiveram firmes e não arredaram pé das entradas da empresa. Estima-se que 80% da frota porto-alegrense não saiu às ruas nas primeiras horas da manhã. Além dos rodoviários, o Trensurb também aderiu à paralisação informando que não operaria no dia.

Por volta das 11h, os dirigentes e trabalhadores que madrugaram nas garagens se uniram a outros milhares de manifestantes numa concentração em frente a Fecomércio. Após uma hora de ato político comandado por dirigentes sindicais, líderes sociais e representantes de sindicatos de trabalhadores, o grupo composto por milhares de pessoas seguiu em marcha até a praça da Matriz. No local, o vice-presidente da CTB-RS, Sérgio de Miranda, falou sobre a importância dos atos do dia para que os direitos dos trabalhadores sejam mantidos. “Hoje, os trabalhadores deram o seu recado e mostraram a sua força, organização e união. O dia foi extremamente importante para que a classe trabalhadora consiga vencer essa pauta conservadora que está sendo tratada no Congresso Nacional. Mostramos a necessidade de invertermos essa pauta a fim de que passem a ser discutidos assuntos diretamente ligados à sociedade, como reforma agrária, agricultura familiar, sem a retira de direitos conquistados pelos trabalhadores”, defendeu Miranda.

O presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, avaliou os atos como muito satisfatórios e parabenizou todos os envolvidos pelo sucesso das paralisações. “Nossos objetivos foram atingidos tendo em conta que o movimento foi um dos maiores realizados nos últimos tempos, graças à organização unitária das centrais sindicais que se concentraram em organizar um movimento amplo, mesclando setor público e privado. Conseguimos paralisar as principais empresas de ônibus e fazer com que as manifestações ultrapassassem as fronteiras municipais se estendendo por várias cidades da serra, região norte, central, fronteira, missões, sul, vale dos sinos. Fatos que convergiram para uma repercussão maior. Os trabalhadores mostraram a insatisfação diante da ofensiva conservadora do Congresso e esperamos que com isso o PL das terceirizações seja rejeitado no Senado. Além disso, os atos de hoje deram um passo em direção à greve geral para que possamos avançar com a agenda dos trabalhadores, aprovando o fim do fator previdenciário, a convenção 158 da OIT, redução da jornada de trabalho, entre outros importantes assuntos”, afirmou Vidor.

Por Aline Vargas (CTB-RS)

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