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Qui, Jul

Maduro

  • Por Umberto Martins

    O governo Bolsonaro provocou deliberadamente uma crise diplomática na fronteira do Brasil com a Venezuela e resolveu envolver o país, sem o consentimento do seu povo, na aventura da guerra híbrida que os EUA deflagraram contra a Venezuela, que está caminhando aceleradamente para uma intervenção militar aberta, encoberta pela retórica de “ajuda humanitária” e defesa da democracia.

    A decisão do governo de extrema direita de enviar “ajuda humanitária” ao país vizinho, integrando-se à estratégia de Washintgon contra o presidente de Nicolás Maduro, é uma notória intervenção no conflito interno que divide a sociedade venezuelana. O mesmo se pode afirmar acerca do reconhecimento do governo paralelo liderado pelo deputado Juan Guaidó, um lacaio do imperialismo que se autoproclamou presidente depois de receber orientação (ou ordem) neste sentido por telefone do vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

    É plenamente justificável a reação do governo bolivariano de fechar a fronteira com o Brasil em Roraima, que vem sendo usada como pretexto pelo governo do senhor Jair Bolsonaro para promover novas provocações, cujas consequências são ainda imprevisíveis, mas em nenhuma hipótese favoráveis ao povo ou à nação brasileira. Só quem ganha com isto são os imperialistas estadunidenses, que querem se apoderar das maiores reservas de petróleo do planeta.

    Constituição

    Além de não corresponder aos interesses nacionais, e também por isto, tal política viola a Constituição brasileira, promulgada em 1988, que em seu Artigo 4º consagra os princípios da não intervenção, respeito à autodeterminação dos povos, cooperação entre as nações para o progresso da humanidade e a defesa da solução pacífica dos conflitos nas relações internacionais. Estabelece ainda, em seu parágrafo único, que a “República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.

    A orientação tresloucada do atual governo, expressão daquilo que Nelson Rodrigues batizou de “espírito de vira lata”, contradiz todos esses princípios fundamentais estabelecidos na Constituição. Bolsonaro, no colo de Donald Trump, está desempenhando o vil papel de capanga dos EUA na geopolítica regional, que envolve interesses globais das corporações ligadas ao petróleo e o duelo que a potência hegemônica no mundo capitalista trava com a China e a Rússia com o objetivo de preservar e ampliar seu domínio internacional.  

    Petróleo e geopolítica

    A propaganda mentirosa marqueteada pelo imperialismo, com a cumplicidade da mídia burguesa em todo o continente, procura demonizar o presidente legítimo da Venezuela e pintar o conflito como uma peleja entre democracia e autoritarismo, bem como encobrir a intervenção militar com propósitos supostamente humanitários. Porém, a agressão imperialista contra o regime chavista tem outra natureza e objetivos bem menos nobres.

    Começa pelo petróleo. Conforme revelou o ex-diretor do FBI Andrew McCabe durante um programa de entrevistas da rede MSNBC, no final de 2017 o próprio Trump teria externado sua intenção de ir à guerra contra a Venezuela, argumentando que “eles têm todo o petróleo e estão na nossa porta de fundos”. O óleo negro é fonte perene de conflitos bélicos não só no Oriente Médio e África, em geral guerras por procuração orientadas à distância pelos falcões do Pentágano.

    Entrelaçada com a avidez das transnacionais pelo petróleo, temos como pano de fundo do drama que se desenvolve na Venezuela (e não apenas lá) a crise geopolítica em curso no mundo. O ataque à Venezuela é, simultaneamente, uma grave ofensa à China e à Rússia, nações que apoiam e mantêm com o governo Maduro uma parceria estratégica. A potência asiática, comandada pelos comunistas, investiu dezenas de bilhões de dólares no país enquanto o governo Putin estreitou os laços políticos, econômicos e militares com a revolução bolivariana.

    China e Rússia

    China e Rússia opõem-se energicamente à política imperialista dos EUA, que hoje tem declaradamente o propósito de conter a expansão da influência econômica e política da China na América Latina e implodir o Brics. Eis uma outra razão pela qual a política do Trump tupiniquim vai na contramão dos interesses nacionais do Brasil.

    Do ponto de vista do poderio econômico relativo, os EUA são uma potência em franca decadência e estão sendo superados pela China em diversos aspectos, incluindo o PIB medido pelo critério de Paridade de Poder de Compra (PCC), numa prova muito prática e concreta da superioridade da economia socialista de mercado sobre o capitalismo neoliberal. O Brasil é hoje muito mais dependente comercial e financeiramente da China do que dos EUA. Só temos a perder com as relações carnais entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, que fez continência à bandeira da potência imperialista e declarou ser fã número um do presidente norte-americano.

    O declínio da maior potência imperialista do planeta também ocorria no plano político em nossa região, que caminhava para um novo arranjo geopolítico com as políticas externas soberanas e integracionistas promovidas pelos governos progressistas de Hugo Chávez, Lula, Evo Morales, Rafael Correia e outros líderes de esquerda com fortes raízes nos movimentos sociais. A mudança na região convergia com as transformações em curso no mundo e o deslocamento do poder econômico do Ocidente para o Oriente, o que se traduziu na parceria China/Celac.

    Retrocesso

    Tal realidade, porém, foi revertida nos últimos anos ao custo de golpes de Estado (em Honduras, no Paraguai, no Brasil e agora na Venezuela) e a eleição de líderes da extrema-direita neoliberal na Colômbia e na Argentina. Os EUA estão retomando plenamente o controle geopolítico do continente.

    É preciso acrescentar que esta dimensão geopolítica do conflito na Venezuela é, em geral, solenemente ignorada pela mídia hegemônica, dedicada ao serviço, sujo e diuturno, de desinformação da opinião pública (ou publicada) para embelezar o golpe de Estado e vender a intervenção militar imperialista como “ajuda humanitária” e defesa da democracia.

    Se não for derrotado, o golpe em curso na Venezuela vai coroar a vitória do imperialismo e aprofundar o retrocesso político na América Latina. Isto pode retardar, mas não vai reverter o processo histórico de decadência dos Estados Unidos no cenário internacional, determinado pelo desenvolvimento desigual e o crônico parasitismo que corrói a maior economia capitalista do mundo. A história vive hoje um dilema entre sombras e luz e muito embora as sombras predominem no momento, a luz tende a prevalecer no futuro. 

    As forças democráticas e progressistas não devem vacilar nem se deixar seduzir pelo canto de sereia regido pelo imperialismo. A intervenção imperialista dos EUA na Venezuela merece o mais profundo repúdio dos povos da América Latina e de todo o mundo. A defesa do sagrado direito dos povos à autodeterminação, previsto na Constituição brasileira, está na ordem do dia.

    Veja o que diz a Constituição sobre as relações internacionais do Brasil:

    Título I  

    Dos Princípios Fundamentais

    Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

           I - independência nacional;

           II - prevalência dos direitos humanos;

           III - autodeterminação dos povos;

           IV - não-intervenção;

           V - igualdade entre os Estados;

           VI - defesa da paz;

           VII - solução pacífica dos conflitos;

           VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

           IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

           X - concessão de asilo político.

    *Editor do Portal CTB e autor do livro "O golpe do capital contra o trabalho"

  • Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • A guerra híbrida que vive a Venezuela tem a desinformação e manipulação midiática como uma de suas principais armas de combate. Lemos e escutamos mentiras de analistas que nunca estiveram na Venezuela e as repetem tantas vezes que se convertem em realidade para a opinião pública. 

    Por Katu Arkonada*

    1 – A Venezuela tem dois presidentes

    Nada mais distante da realidade. A Constituição venezuelana estabelece em seu artigo 233 como “falta absoluta do presidente” sua morte, renúncia, destituição decretada pelo Tribunal Supremo de Justiça, ou a incapacidade física ou mental decretada por uma junta médica. Juan Guaidó não tem nenhum argumento constitucional para autoproclamar-se presidente, pois não há falta absoluta do presidente, que fez o juramento tal e como estabelece a Constituição em seu artículo 231: em 10 de janeiro e diante do Tribunal Supremo de Justiça. 

    2 – Guaidó tem apoio da comunidade internacional 

    Para além da hipocrisia de chamar “comunidade internacional” alguns países do Ocidente, em 10 de janeiro a posse de Nicolás Maduro contou com a representação diplomática de mais de 80 países, desde a Rússia à China, passando pelo Vaticano, a Liga Árabe e a União Africana. Esses países seguem mantendo relações diplomáticas com o governo de Maduro. Guaidó tem o reconhecimento dos mesmos países que em 10 de janeiro não reconheceram Maduro: Estados Unidos e o Grupo de Lima (exceto o México). Fora isso, só se somaram Georgia (devido à disputa territorial com a Rússia), Austrália e Israel. 

    3 – Guaidó é diferente da oposição violenta

    Guaidó é deputado pela Vontade Popular, partido político que não reconheceu as eleições presidenciais de 2013 e cujo líder, Leopoldo López, está condenado por ser o autor intelectual do episódio “La Salida” que impulsionou as guarimbas [manifestações violentas] de 2014, que tiveram um saldo de 43 mortos e centenas de feridos. 

    4 – A Assembleia Nacional é o único órgão legítimo 

    O artigo 348 da Constituição venezuelana autoriza o presidente a convocar uma Assembleia Constituinte, e o artigo 349 define que os poderes constituídos (Assembleia Nacional) não poderão, de forma alguma, impedir as decisões da Assembleia Constituinte. A decisão de convocar a Constituinte foi um ato de astúcia do chavismo para rifar o bloqueio da Assembleia Nacional e, gostem ou não, foi realizado com estrito apego à Constituição.

    5 – Maduro foi reeleito de maneira fraudulenta, em eleições sem oposição 

    As eleições de 20 de maio de 2018 foram convocadas pelo mesmo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) que permitiu a eleição de Guaidó como deputado. Houve três candidatos de oposição que juntos conquistaram 33% dos votos e foram seguidas as normas estabelecidas na mesa de diálogos realizada na República Dominicana entre o governo venezuelano e a oposição, com mediação do ex-presidente espanhol José Luís Rodríguez Zapatero. 

    6 – Na Venezuela não há democracia

    Desde 1998 foram realizadas cinco eleições presidenciais, quatro eleições parlamentares, seis eleições regionais, quatro eleições municipais, quatro referendos constitucionais, e uma consulta nacional [plebiscito]. Ou seja: 23 eleições em 20 anos. Todas com o mesmo sistema eleitoral, considerado um dos mais seguros do mundo pelo ex-presidente estadunidense Jimmy Carter. 

    7 – Na Venezuela há uma crise humanitária

    Não há dúvidas de que na Venezuela há agora uma crise econômica impulsionada por ordens executivas de Barack Obama e Donald Trump ao declarar o país como perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos, com sanções que têm impedido a compra de alimentos e medicamentos.

    Essa crise tem provocado uma migração econômica que alguns tentam maquiar como “asilo político”, fato desmentido pelos dados: entre janeiro e agosto de 2018 a Comissão Mexicana de Ajuda ao Refugiado recebeu 3.500 solicitações de asilo de venezuelanos e 6.523 solicitações de refúgio de cidadãos hondurenhos, por exemplo, quase o dobro. 

    8 – Na Venezuela os direitos humanos são violados 

    Analisemos as cifras das guarimbas de 2017: 131 pessoas mortas, 13 das quais por disparos das forças de segurança (fato que levou 40 oficiais a serem presos e processados); 9 membros das diferentes polícias e Guarda Nacional Bolivariana foram assassinados e cinco pessoas foram queimadas vivas ou linchadas pela oposição. As demais mortes se deram enquanto pessoas manipulavam explosivos de forma irregular ou tentavam saltar das barricadas da oposição. 

    9 – Na Venezuela não há liberdade de expressão 

    As imagens destes dias de Guaidó dando declarações rodeado de microfones de meios de comunicação nacionais e internacionais desmentem tal afirmação. 

    10 – A comunidade internacional está preocupada com o Estado da democracia na Venezuela

    A comunidade internacional representada pelos Estados Unidos e o Grupo de Lima não está preocupada com os presos torturados em Guantánamo; não se preocupa com os defensores dos direitos humanos assassinados diariamente na Colômbia, não há preocupações com as caravanas de imigrantes que fogem da doutrina do shock neoliberal em Honduras e tampouco se importa com as relações do filho de Jair Bolsonaro com as milícias que assassinaram Marielle Franco. 

    Não, ninguém do Grupo de Lima e seu aliado Estados Unidos julga grave as violações dos direitos humanos nestes países todos. O que se esconde por trás desta preocupação com a Venezuela não se chama democracia. Se chama petróleo, ouro e coltan. 

     *Katu Arkonada é cientista político, autor de livros relacionados à política latino-americana e membro da Rede de Intelectuais na Defesa da Humanidade. Este artigo foi publicado originalmente no jornal mexicano La Jornada.

    Fonte: La Vanguarda I Tradução: Mariana Serafini, publicado em português pelo portal Vermelho

  • O Conselho de Segurança da ONU analisa nesta quinta-feira (28) duas propostas antagônicas sobre a Venezuela, uma contra e outra a favor do governo Maduro. A primeira, apresentada pelos Estados Unidos, contesta a legitimidade do presidente chavista e pede novas eleições presidenciais. A outra, sugerida pela Rússia, defende o atual governo e o princípio da soberania nacional e não intervenção; sugere que a ajuda humanitária seja endereçada a Nicolás Maduro e às autoridades do país e adverte contra o uso da força.

    A proposta de Moscou confronta o projeto de Washington de que as remessas de alimentos e remédios sejam manipuladas pela oposição para fortalecer e legitimar o deputado golpista Juan Guaidó, que por orientação do vice-presidente norte-americano, Mike Pence, se autoproclamou presidente interino da Venezuela em 22 de janeiro.

    Intervenção ou soberania?

    São duas propostas antagônicas que revelam a divisão do Conselho de Segurança da ONU e o impasse que deverá resultar em rejeições mútuas, visto que as potências nucleares (EUA, Rússia, China, Inglaterra e França) têm poder de veto no organismo. Rússia e China apoiam o governo de Nicolás Maduro, ao passo que os EUA estão em feroz ofensiva para derrubá-lo e colocar um ponto final na revolução bolivariana, que desafiou o império e proclamou o objetivo de construir uma sociedade socialista.

    Mesmo se obtiver maioria entre os 15 membros do Conselho de Segurança nenhuma das duas propostas terá o respaldo da ONU em função do direito ao veto das cinco potências nucleares. A pressão dos EUA é intensa, mas esbarra na oposição de Moscou e Pequim, que parecem determinados a lutar por uma nova ordem internacional sem intervenções de potências estrangeiras em conflitos internos de outros países e fundada no respeito à autodeterminação dos povos.

    O conflito interno da Venezuela, que tem um nítido caráter de classes, está deste modo compreendido numa batalha geopolítica mais global que coloca em questão a decadente ordem imperialista definida pelos acordos de Bretton Wodds (1944), cuja fundamento é a hegemonia econômica, política e militar dos EUA, cuja decadência é hoje notória.

    Ofensiva imperialista

    Os EUA são em grande medida responsável pela crise que perturba a sociedade venezuelana, pois estão movendo uma cruel guerra econômica contra o regime chavista, com sanções de toda ordem e estímulo à violência e ao golpismo desde que Chávez chegou ao poder em 1998. O interesse maior e não confessados dos imperialistas americanos é tomar conta das maiores reservas petrolíferas do mundo e conter a crescente influência da China no continente.

    Em abril 2002 o líder da revolução bolivariana foi vítima de um golpe apoiado por Washington, que não teve respaldo popular e não chegou a durar 48 horas. Chávez voltou ao Palácio de Miraflores pelas mãos do povo e militares patriotas e revolucionários. O ano seguinte (2003) também foi marcado por iniciativas golpistas, lideradas pelos executivos da PDVSA, uma espécie de Petrobras venezuelana.

    Eles também acabaram derrotados, mas o espírito golpista continuou influenciando os círculos reacionários frequentados pela burguesia e latifundiários do país, aliados dos EUA. Nicolás Maduro também não teve momentos de sossego, enfrentou manifestações violentas capitaneadas pela extrema direita em 2014 e 2017 e agora depara-se com o golpe comandado pelo deputado Juan Guaidó.

    Bolsonaro e Guaidó

    Nesta quinta-feira (28) o golpista Guaidó foi recebido por Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Foi o encontro de dois líderes da extrema-direita latino-americana, ambos caudatários da política imperialista emanada de Washington e fãs do presidente Donald Trump. Num rasgo de demagogia bizarra e de mau gosto, Bolsonaro disse que "Deus é brasileiro e venezuelano". O apoio do presidente brasileiro ao líder da oposição venezuelana, que não passa de um fantoche da Casa Branca, não corresponde aos interesses do nosso povo, que já está sofrendo as consequencias, e viola a Constituição de 1988, que consagra o princípio da não intervenção e de solução pacífica para os conflitos políticos domésticos das nações.

    É um gesto que tampouco está em harmonia com os sentimentos do povo venezuelano, que não respaldou o extremista Guaidó, não deseja a guerra civil e rejeita a intervenção do imperialismo. O mesmo se pode dizer em relação às Forças Armadas Bolivarianas e à Justiça do país, que apesar da crise e das pressões imperialistas continuam leais ao governo Maduro.

    Umberto Martins

  • Pelo menos 300 militantes dos movimentos sociais marcaram presença no ato realizado nesta sexta-feira à tarde em defesa da soberania da Venezuela. A manifestação ocorreu diante do consulado do país, na rua general Fonseca Téles, 564, no bairro Jardim Paulista. Participaram dirigentes da CTB, CUT, Intersindical, Cebrapaz, entre outras organizações dos movimentos sociais, e de partidos políticos de esquerda (PCdoB, PT e Psol).

    “Foi um ato que reuniu lideranças políticas de diferentes organizações em defesa da soberania da Venezuela, contra a intervenção militar dos EUA e por uma solução pacífica para o conflito que abala o país”, resumiu o secretário de Relações Internacionais da CTB, Nivaldo Santana.

    Carta traduz desejo do povo

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresentou nesta quinta-feira (7) a carta que vai enviar à Casa Branca como forma de rejeitar a ingerência dos Estados Unidos contra a Venezuela. Na Praça Bolívar, em Caracas, o chefe de Estado também assinou o documento, subscrito por cerca de 10 milhões de venezuelanos.

    “Assino pela paz, pela soberania sagrada da Venezuela em apoio ao direito à independência, à autodeterminação do povo da Venezuela”, disse Maduro. “Esta carta foi escrita pensando nas crianças e no futuro do país, no sagrado direito que temos à paz, com a convicção de autonomia”, disse o presidente venezuelano, que ressaltou que a carta é especialmente dirigida ao povo dos Estados Unidos.

    Ele lembrou que a Venezuela está ameaçada pelos Estados Unidos e seu desejo de assumir o controle dos recursos do país. Denunciou que o governo dos Estados Unidos quer tratar nossas fronteiras com o mesmo ódio que teve contra o Vietnã, para invadir a Venezuela “em nome da liberdade”.

    Maduro enfatizou que o povo venezuelano resiste porque tem um alto nível de participação na tomada de decisões políticas. Ele alertou o povo estadunidense de que a invasão da Venezuela é um perigo e denunciou que o presidente Donald Trump tentou sabotar o diálogo entre o governo e a oposição, ideia promovida pelo México, Uruguai e Bolívia.

    “Sabemos que para o bem da Venezuela é preciso sentar e conversar”, disse Maduro. A carta aberta se refere também ao bloqueio financeiro imposto por Trump e que afeta a economia venezuelana. E frisou que uma agressão viola a Carta das Nações Unidas, que rejeita o uso da força nas relações entre os países.

    No final, o presidente Maduro pediu aos estadunidenses que acompanhem os venezuelanos na rejeição às ameaças e ações de interferência do governo dos EUA contra a Venezuela.

    Da Redação, com informações da Agência Venezuelana de Notícias

  • O embaixador da Venezuela na Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou na tarde desta quarta-feira em Nova York que a nova empreitada golpista liderada por Juan Guaidó contra o governo Maduro foi derrotada. Leopoldo López, outro líder de extrema direita que fugiu da cadeia para participar da iniciativa, está refugiado na embaixada da Espanha.

    Questionado sobre se Guaidó será preso, o embaixador disse que não saberia explicar quais são os planos militares sob o comando de Maduro, mas que era 'óbvio' que Guaidó cometeu um crime contra o país. "Está aí para todo mundo ver”, que ele agiu “em nome de potências estrangeiras", disse o embaixador, se referindo ao apoio dos Estados Unidos ao lacaio Guaidó, que foi orientado por Washington a se autoproclamar presidente.

    Venezuelanos concentram-se em Miraflores contra tentativa de golpe

    Conforme informações divulgandos pela Prensa Latina, forças revolucionárias venezuelanas concentraram-se nesta quarta-feira (30) nas proximidades da sede do Governo, no Palácio Miraflores, em rejeição à tentativa de golpe de Estado impulsionado por um setor da oposição nacional, de extrema direita, durante a madrugada.

    Desta forma, o povo responde à convocação do presidente da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), Diosdado Cabelo, que chamou a defender a legitimidade do mandato de Nicolás Maduro ante os ataques da direita venezuelana e da administração dos Estados Unidos.

    O dirigente político recusou ante a multidão estas ações ao mesmo tempo que assegurou que a oposição jamais voltaria a tomar o poder.

    Por sua vez, a vice-presidenta do país sul-americano, Delcy Rodríguez, destacou que os 'traidores e fascistas nunca torcerão o destino de liberdade que tem marcado Venezuela'.

    Em uma mensagem publicada em Twitter, Rodríguez enfatizou que a democracia bolivariana está fundada no protagonismo do povo e chamou aos venezuelanos a defender a paz e o presidente constitucional.

    Cabelo destacou assim que a oposição procura um confronto entre os venezuelanos, a propósito do levantamento de um reduzido grupo de militares desertores comandados pelos líderes da extrema direita Juan Guaidó e Leopoldo López, nos arredores da base aérea La Carlota.

    'Esta é outra sabotagem da direita golpista que quer que nós mesmos nos enfrentemos', sustentou o titular da ANC.

  • A Venezuela está sob forte pressão dos EUA, que pretendem consumar um golpe contra o presidente Nicolás Maduro, legitimamente eleito, e impor ao país um novo regime político liderado pelo deputado Juan Guaidó. Na próxima sexta-feira (8), às 14 horas, lideranças dos movimentos realizarão uma manifestação de solidariedade ao país e ao presidente Maduro diante do Consulado da Venezuela em São Paulo, na rua general Fonseca Téles, 564, no Jardim Paulista.

    “Vamos defender o sagrado direito do povo venezuelano à autodeterminação e denunciar a intervenção imperialista dos EUA”, comentou Divanilton Pereira, vice-presidente da CTB. Veja entrevista de Maduro no youtube sobre a conjuntura do país: https://www.youtube.com/watch?v=79yrsvJDVRA.

  • Um incêndio afetou três tanques de armazenamento de petróleo em uma instalação da estatal venezuelana PDVSA na Faixa do Orinoco - informou o governo nesta quinta-feira (14), atribuindo o fato a uma "ação terrorista" dos Estados Unidos.

    A deflagração aconteceu na quarta à tarde em Petro San Félix (estado Anzoátegui, ao norte), disse o ministro do Petróleo e presidente da PDVSA, general Manuel Quevedo.

    "Foi uma ação terrorista que denunciamos em nível internacional", declarou o oficial à emissora pública VTV.

    Quevedo culpou, em particular, o senador republicano americano Marco Rubio, considerado um dos artífices da estratégia dos Estados Unidos para tirar do poder o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

    Eis a mensagem que ele postou na internet:

    "@MarcoRubio ordenou mais violência na Venezuela. A direita e sua marionete @jguaido aumentaram as incursões terroristas contra a PDVSA. Atacaram os Tanques de Armazenamento de Petro San Félix para afetar a produção petroleira. Entreguistas", disse o o general no Twitter.

    O ministro se referia ao líder de oposição Juan Guaidó, lacaio do imperialismo que se autoproclamou presidente interino da Venezuela por orientação do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

    Quevedo não relatou feridos no atentado, que acontece uma semana depois do início de um apagão que afetou por dias 22 dos 23 estados do país, além de Caracas.Maduro atribuiu o corte de energia a "ataques cibernéticos e eletromagnéticos" do Pentágono e ao Comando Sul americano.

    O sistema de energia elétrica já foi restabelecido na Venezuela. O apagão começou há uma semana, na quinta passada, e afetou todo o país. Um incêndio teria sido a causa do blecaute. O governo Maduro encontrou indícios materiais de sabotagem, enquanto os EUA e a oposição usaram o episódio para tentar manter acesa a chama do golpismo.

    A Faixa do Orinoco abriga as maiores reservas de petróleo do mundo e os imperialistas norte-americanos estão ávidos para se aproprierem desta riqueza, o que explica a escancarada ingerência nos conflitos domésticos do país. Em abril de 2002 eles estiveram por trás de um fracassado golpe contra Hugo Chávez.

    "Os EUA decidiram, também, despojar a Venezuela de seus recursos petroleiros em troca de apoiar @jguaido com violência. Os gringos não querem intercâmbio econômico. Pediram os campos de petróleo em propriedade. Sentem desprezo pelos venezuelanos", afirmou Quevedo.

  • O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou nesta quarta-feira (1º) a oposição liderada por Juan Guaidó de querer iniciar uma guerra civil na Venezuela. Ele também alertou que os Estados Unidos poderiam ordenar uma invasão militar caso a tensão interna desaguasse num conflito armado.

    "Se tivéssemos mandado tanques para os enfrentar, o que teria acontecido? Um massacre entre venezuelanos", afirmou o presidente.

    Essa foi a segunda aparição pública de Maduro desde a escalada das tensões políticas na Venezuela após Guaidó tentar um frustrado golpe militar e bazofiar que tinha apoio militar na terça-feira (30). Houve confrontos entre manifestantes e policiais nos dois dias, que, segundo fontes locais, deixaram mais de 100 feridos e quatro mortos.

    Mais cedo, um grupo fez vigília diante do palácio presidencial de Miraflores. A milícia bolivariana também se posicionou perto da sede do governo.

    Maduro escreveu uma mensagem sobre o 1º de maio no Twitter na qual afirma que a classe trabalhadora sempre terá nele um presidente "que sempre defenderá seus direitos e revindicações, fazendo frente ao império e seus lacaios, que pretendem tirar nossas conquistas". "Fracassarão. Nós venceremos!", afirmou.

    Imperialismo americano

    John Bolton, assessor especial do governo de Donald Trump, foi quem tramou o "golpe de Estado", segundo Maduro. Os Estados Unidos convocam países vizinhos, entre eles Colômbia e Brasil, para coordenar a derrubada do regime.

    "Quem quiser chegar a Miraflores [palácio presidencial] tem que ganhar eleições, esta é a única forma de chegar à presidência venezuelana. Apenas o povo coloca e tira. Não são as armas que colocarão, jamais, um presidente fantoche na presidência", disse Maduro.

    Grande jornada de consultas

    Em seu discurso nesta quarta, Maduro também convocou o povo, e em particular três setores da sociedade, para "uma grande jornada de consultas", na qual diz estar disposto a ouvir sugestões sobre como lidar com o bloqueio imposto pelos Estados Unidos e como melhorar a vida da população venezuelana.

    Para reuniões no próximo fim de semana, ele convocou o Congresso Bolivariano dos Povos, que reúne centenas de organizações, integrantes do Partido Socialista Venezuelano e também governadores e prefeitos de todo o país, a quem pediu que apresentem planos.

    "Todos os dias, penso como podemos melhorar, que coisas temos que mudar", afirmou.

  • Por Socorro Gomes (*)

    Em diversos países a última semana foi marcada por manifestações, sempre silenciadas pela mídia empresarial, de solidariedade com o povo venezuelano. O Brasil foi palco de algumas delas. Na última sexta-feira (8) centenas de pessoas, lideradas por partidos políticos e movimentos sociais, foram até o Consulado Geral da Venezuela em São Paulo, externar sua solidariedade com o governo legítimo e constitucional do presidente Nicolás Maduro e com o povo irmão, que é vítima de uma tentativa de golpe de Estado e encontra-se sob ameaça de intervenção militar.

    Como presidenta do Conselho Mundial da Paz, somo-me a essas vozes de protesto contra a política de mudança de regime e a tentativa criminosa de derrubar o governo legítimo da Venezuela, A guerra   em preparação, comandada  por Donald Trump  e seus fantoches do cartel de Lima, tem o objetivo de controlar e apropriar-se das maiores reservas de petróleo conhecidas do planeta, além de outras importantes fontes de recursos naturais.

    Os Estados Unidos agem como Estado fora da lei buscando através da sabotagem, das sanções econômicas, da guerra midiática e diplomática,  impor o terror no país através de um fantoche que se autoproclamou “presidente encarregado”, totalmente a serviço de sua política de ingerência, violando as leis internacionais e levando o continente à beira  da guerra e devastação.

    São falsos os pretextos usados pelos imperialistas estadunidenses, de que defendem a democracia e os direitos humanos na Venezuela. O que querem é o controle das imensas riquezas petrolíferas e outros recursos do país. Querem impor seus interesses e domínio no continente e impedir pela força a afirmação de nações soberanas.

    Se o mundo permitir a concretização do ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, estará dando carta branca à repetição de crimes de lesa-humanidade, típicos do nazismo de Hitler e do imperialismo em crise dos tempos atuais. Não se pode, sob nenhum pretexto, permitir a repetição de guerras como as que destruíram a Iugoslávia e dilaceraram o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Síria.

    Para ser livre, justo e equilibrado, o mundo não pode permitir tais desatinos, mas ater-se sempre à autodeterminação das nações e povos, como direito inalienável e sagrado, reconhecido pela Carta das Nações Unidas.

    Não se pode admitir as intervenções de um país sobre outro, os golpes antipopulares, a violação da soberania nacional, a guerra imperialista.

    O povo venezuelano é vítima de ameaças, golpes e agressões, inclusive a ameaça de intervenção armada pelo governo Trump, seus lacaios internos e no entorno latino-americano.

    Os povos devem levantar a voz e condenar a ingerência dos Estados Unidos e da União Europeia que, ao arrepio do Direito Internacional, fomentam a instabilidade, ao legitimar um autoproclamado “presidente interino” ou “presidente encarregado”, num ato que ignora as instituições democráticas do país.

    Agora, esse “presidente”, num gesto de covardia e traição nacional, afirma que vai solicitar a intervenção externa.

    Para além dos pretextos sobre a “defesa dos direitos humanos” e da “democracia” na Venezuela, invoca-se a “crise humanitária”. Contando com aliados servis, os Estados Unidos iniciaram uma operação fraudulenta de envio de “ajuda humanitária”, que não passa da instalação de um corredor para guerra. Já conta com o beneplácito do governo colombiano e espera a adesão do Brasil.

    Apoiamos o povo venezuelano e seu governo legítimo nos esforços para seguir adiante na construção do sistema político e econômico que corresponde aos interesses nacionais e populares.

    Defendemos o diálogo nacional e as iniciativas diplomáticas em favor da paz na Venezuela para impedir a realização dos criminosos planos agressivos do imperialismo.

    Renovamos a nossa convicção de que vale a pena lutar pela paz, a soberania nacional e a autodeterminação dos povos.

    (*) Socorro Gomes é presidenta do Conselho Mundial da Paz

  • Por Max Blumenthal [*] e Dan Cohen [**]

    Antes do fatídico dia 22 de Janeiro, menos de um em cada cinco venezuelanos tinha ouvido falar de Juan Guaidó. Há apenas alguns meses, este homem com 35 anos era um personagem obscuro de um grupo de extrema-direita politicamente marginal e associado a tenebrosos atos de violência nas ruas. Mesmo no seu próprio partido, Guaidó não passara de uma figura de nível médio na Assembleia Nacional dominada pela oposição e que agora age como um órgão que despreza a Constituição da Venezuela.

    Porém, após um único telefonema do vice-presidente dos Estados Unidos da América, Mike Pence, Guaidó proclamou-se presidente da Venezuela. Ungido em Washington como dirigente máximo do seu país, um personagem político anteriormente desconhecido foi colocado nos palcos internacionais como chefe de uma nação que possui as maiores reservas petrolíferas do mundo.

    Ecoando o consenso existente em Washington, o New York Times saudou Guaidó como "um rival credível" para Maduro, com "um estilo refrescante e uma visão capaz de levar o país em frente". O Conselho Editorial da Blooomberg aplaudiu-o por procurar a "restauração da democracia" e o Wall Street Journal declarou-o "um novo líder democrático". Enquanto isso, o Canadá, numerosos países europeus, o Parlamento Europeu, Israel e o bloco de países latino-americanos de direita conhecido como Grupo de Lima reconheceram Guaidó como dirigente legítimo da Venezuela.

    Mais de uma década de preparação

    Guaidó parece ter-se materializado do nada. Ele é, no entanto, o produto de mais de uma década de preparação a cargo das fábricas de mudanças de regimes geridas pelo governo dos Estados Unidos.

    Juntamente com um grupo de ativistas estudantis de direita, Juan Guaidó foi treinado para minar o governo de orientação socialista da Venezuela, desestabilizar o poder e, um dia, tomar o poder. Embora tenha sido uma figura menor na política venezuelana, passou anos mostrando-se nos salões de poder em Washington.

    "Juan Guaidó é um personagem criado para esta circunstância", afirmou Marco Teruggi, um sociólogo argentino e cronista da política da venezuelana, à publicação The Grayzone. "É o produto de uma lógica de laboratório: Guaidó é como uma mistura de vários elementos que dão forma a um personagem que, com toda a honestidade, oscila entre o ridículo e o preocupante".

    Diego Sequera, jornalista e editor venezuelano da publicação de investigação Misión Verdad, concordou: "Guaidó é mais popular fora do que dentro da Venezuela, especialmente nos círculos de elite da Ivy League [1] e Washington", disse. "É uma figura conhecida nesses meios, previsivelmente de direita e leal às opiniões e tendências que aí se manifestam".

    Embora Juan Guaidó seja vendido como o rosto da "restauração democrática", passou a sua carreira interna dentro da facção mais violenta da oposição mais radical da Venezuela, colocando-se na vanguarda das campanhas de desestabilização, uma após outra. O seu partido tornou-se amplamente desacreditado na Venezuela e é parcialmente responsável por fragmentar uma oposição enfraquecida.

    "Esses dirigentes radicais não têm mais que 20% nas sondagens de opinião", escreveu Luís Vicente León, principal investigador nessa área. Segundo León, o partido de Guaidó continua isolado, porque a maioria da população "não quer guerra, o que pretende é uma solução".

    Não é democracia, é colapso

    É precisamente por isso, porém, que Guaidó foi escolhido por Washington: não se espera que instaure a democracia na Venezuela mas provoque o colapso de um país que, nas últimas duas décadas, tem sido um baluarte da resistência à hegemonia dos Estados Unidos. A sua ascensão significa o culminar de um projecto de duas décadas para destruir uma forte experiência socialista.

    Desde a eleição de Hugo Chávez, em 1998, os Estados Unidos lutaram para restabelecer o controlo sobre a Venezuela e as suas vastas reservas de petróleo. Os programas socialistas de Chávez podem ter redistribuído a riqueza do país e ajudado a tirar milhões da pobreza, mas tornaram-no um alvo a abater. 

    Em 2002, a oposição de direita conseguiu derrubar Chávez com apoio e reconhecimento dos Estados Unidos, mas só até que oficiais patriotas contrário ao golpe intervissem restabelecendo a sua presidência, após uma mobilização popular de massas. Durante as administrações norte-americanas de George W. Bush e Barack Obama, Chávez sobreviveu a vários planos para o assassinarem, antes de sucumbir de câncer em 2013. O seu sucessor, Nicolás Maduro, sobreviveu a três tentativas de assassínio.

    A administração Trump elevou imediatamente a Venezuela até ao topo da lista de alvos da mudança de regime a conseguir por Washington, qualificando o país como o principal da "troika da tirania". No ano passado, a equipe de segurança a serviço de Trump tentou recrutar militares para montar uma junta ditatorial, mas o esforço falhou.

    De acordo com o governo venezuelano, os Estados Unidos também estiveram envolvidos numa conspiração com o nome de código "Operação Constituição" para capturar Maduro no palácio presidencial de Miraflores; e numa outra ação, designada Operação Armagedão, para o assassinar em Julho de 2017, durante uma parada militar. Pouco mais de um ano depois, chefes da oposição exilados tentaram matar Maduro com bombas instaladas num drone numa parada militar em Caracas.

    Experiência no "açougue dos Balcãs"

    Mais de uma década antes destes acontecimentos, um grupo de estudantes da oposição de direita foi selecionado e preparado ao pormenor por uma academia de treino de mudanças de regime, financiada pelos Estados Unidos para derrubar o governo da Venezuela e restaurar a ordem neoliberal. Tratou-se de um processo de treino inserido no quadro de "exportação da revolução" e que semeou várias "revoluções coloridas".

    Em 5 de Outubro de 2005, com a popularidade de Hugo Chávez no auge e o seu governo concretizando programas socialistas, cinco dirigentes estudantis venezuelanos chegaram a Belgrado, Sérvia, onde começaram a ser treinados para uma insurreição.

    Os estudantes viajaram por cortesia do Centro de Acção e Estratégias Não-Violentas Aplicadas ou Canvas na sigla anglo-saxónica. Esta organização é financiada em grande parte pelo National Endowment for Democracy (NED), uma instância da CIA que funciona como o principal braço do governo dos Estados Unidos para promover mudanças de regime; cofinanciam-na também o Instituto Internacional Republicano e o Instituto Nacional Democrata para Assuntos Internacionais, organizações dos dois partidos-Estado norte-americanos. De acordo com e-mails internos dados a conhecer pela Stratfor, uma empresa de inteligência conhecida como "a sombra da CIA", o Canvas "também pode ter recebido financiamento e treino da CIA durante a luta anti-Milosevic em 1999/2000".

    A rede dos EUA para promover 'revoluções coloridas

    O Canvas é um ramo do Otpor, um grupo insurrecional sérvio fundado por Srdja Popovic em 1998 na Universidade de Belgrado. Otpor significa "resistência" em servo-croata e ganhou fama internacional – e promoção ao nível de Hollywood – ao mobilizar os movimentos que conduziram à queda de Slobodan Milosevic.

    Esta célula de especialistas em mudanças de regime opera de acordo com as teorias do falecido Gene Sharp [2] , o chamado "Clausewitz da luta não-violenta". Sharp trabalhou com um ex-analista dos serviços de espionagem militares norte-americanos, o coronel Robert Helvey, para conceber um projecto estratégico que transforma os protestos numa forma de guerra híbrida, projecto esse para aplicar nos Estados que não se acomodam ao domínio unipolar de Washington.

    O Otpor foi apoiado pelo National Endowment for Democracy, a Usaid e o Instituto Albert Einstein de Gene Sharp. Sinisa Jikman, um dos principais "formadores" do Otpor, revelou uma vez que o grupo chegou a receber financiamento direto da CIA.

    De acordo com um dos e-mails que um funcionário da Stratfor deu a conhecer, depois de contribuírem para derrubar Milosevic "os jovens que geriam o Otpor cresceram, passaram a vestir fato e gravata e projetaram o Canvas… Ou, por outras palavras, um grupo de 'exportação da revolução' que lançou as sementes para várias revoluções coloridas. Ainda recebem financiamento dos Estados Unidos e, basicamente, percorrem o mundo tentando derrubar “ditadores e governos autocráticos” (aqueles dos quais os Estados Unidos não gostam)".

    A Stratfor revelou que o Canvas "voltou a sua atenção para a Venezuela" em 2005, depois de treinar movimentos de oposição que lideraram operações de mudanças de regime favoráveis à OTAN em toda a Europa Oriental.

    A Stratfor estudou o programa de treino do Canvas e descreveu a sua agenda insurrecional numa linguagem surpreendentemente contundente:

    "O êxito não está de forma alguma garantido e os movimentos estudantis são apenas o começo do que poderá ser um esforço de anos para desencadear uma revolução na Venezuela; mas os formadores são pessoas que adquiriram experiência no 'Açougueiro dos Balcãs'. Têm aptidões fora do comum. Quando virem cinco estudantes em cinco universidades venezuelanas realizando manifestações simultâneas é sinal de que o treino acabou e o trabalho real começou".

    Passagem ao "trabalho real"

    O "trabalho real" começou dois anos depois, em 2007, quando Guaidó se licenciou na Universidade Católica Andrés Bello de Caracas. Mudou-se para Washington e inscreveu-se no Programa de Governança e Gestão Política da Universidade George Washington, sob tutela do venezuelano Luís Enrique  Berrizbeitia, um dos principais economistas neoliberais da América Latina. Berrizbeitia é ex-diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e passou mais de uma década trabalhando no setor energético venezuelano sob o regime oligárquico que foi derrubado por Chávez.

    Nesse ano, Guaidó contribuiu para promover comícios contra o governo depois de este não ter renovado a licença da Radio Caracas Televisión (RCTV). Esta estação privada desempenhou um papel de liderança no golpe de 2002 contra Hugo Chávez. A RCTV mobilizou manifestações anti-governamentais, falsificou informações atribuindo a apoiantes do governo a responsabilidade por atos de violência praticados por membros da oposição e proibiu reportagens favoráveis ao chefe do Executivo durante o golpe. O papel da RCTV e de outras estações pertencentes a oligarcas na condução da frustrada tentativa de golpe foi revelado no aclamado documentário “The Revolution Will Not Be Televised” (“A revolução não será televisionada” https://www.google.com/search?q=a+revolu%C3%A7%C3%A3o+n%C3%A3o+ser%C3%A1+televisionada&rlz=1C1AKJH_enBR815BR815&oq=a+revolu%C3%A7%C3%A3o+n%C3%A3o+ser&aqs=chrome.1.69i57j0l5.5498j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8).

    No mesmo ano, os estudantes reclamaram os louros por terem contribuído para derrotar o referendo constitucional sobre o programa do governo de Chávez para "Um socialismo do séc. XXI", mediante o qual se previa "estabelecer o quadro legal para a reorganização política e social do país, dando poder direto às comunidades organizadas como um pré-requisito para o desenvolvimento de um novo sistema económico".

    "Geração 2007"

    Dos protestos em torno da RCTV e do referendo nasceu um grupo especializado de ativistas para a mudança do regime apoiado pelos Estados Unidos. Chamou-se "Geração 2007".

    Os formadores do Canvas e os meios de divulgação da Stratfor identificaram o aliado de Guaidó – um organizador de arruaças chamado Yon Goicoechea – como um "fator-chave" para derrotar o referendo constitucional. No ano seguinte, Goicoechea foi recompensado pelos seus esforços com o Prémio Milton Friedman do Cato Institute for Advancing Liberty no valor de 500 mil dólares, que ele investiu na construção da sua própria rede política “Primero Justicia”.

    Friedman, claro, foi o patrono dos neoliberais Chicago Boys importados no Chile pelo ditador Augusto Pinochet para aplicar o programa económico do regime. O Cato Institute é o think tank libertário baseado em Washington e fundado pelos irmãos Koch, os dois principais doadores do Partido Republicano e que se tornaram agressivos defensores da direita em toda a América Latina.

    WikiLeaks divulgou um e-mail de 2007 enviado para o Departamento de Estado, o Conselho de Segurança Nacional e o Departamento da Defesa pelo embaixador norte-americano na Venezuela, William Brownfield, em que elogia a "Geração 2007" por "ter derrotado o presidente venezuelano, acostumado a estabelecer a agenda política". Entre os "líderes emergentes", Brownfield identificou Freddy Guevara e Yon Goicoechea, este último "um dos mais articulados defensores das liberdades civis dos estudantes".

    Das nádegas nuas ao Vontade Popular

    Cheios de dinheiro doado pelos oligarcas libertários, os grupos radicais venezuelanos levaram para as ruas as suas táticas aprendidas com o Otpor.

    Em 2009, os jovens ativistas da Geração 2007 montaram a sua manifestação mais provocatória baixando as calças em público e recorrendo às ultrajantes táticas de guerrilha delineadas por Gene Sharp nos seus manuais para mudanças de regime. Os manifestantes mobilizaram-se contra a prisão de um aliado de um outro grupo juvenil, o JAVU. Este grupo de extrema-direita "reuniu fundos de uma variedade de fontes do governo dos Estados Unidos, o que lhe permitiu ganhar uma rápida notoriedade como linha dura dos movimentos de oposição", segundo o livro "Construindo a Comuna" do académico George Ciccarello-Maher.

    Embora o vídeo do protesto não esteja disponível, muitos são os venezuelanos que testemunham a presença de Guaidó como um dos principais participantes. Não é possível confirmar estas declarações, as quais, no entanto, são plausíveis: os manifestantes com as nádegas a descoberto eram membros do núcleo duro da Geração 2007, a que Guaidó pertencia, e envergavam t-shirts com a sua marca registada "Resistência!".

    Em 2009, Juan Guaidó expôs-se ao público de outra maneira, fundando um partido político para canalizar a dinâmica anti-Chávez que a sua Geração 2007 tinha desencadeado. Chamado Vontade Popular, o grupo é dirigido por Leopoldo López, um ativista de direita educado em Princeton, fortemente envolvido em programas do New Endowment for Democracy e eleito como presidente da Câmara de um município de Caracas que era um dos mais ricos do país. Lopez é uma figura da aristocracia política venezuelana, descendente direto do primeiro presidente do país. É também primo direito de Thor Halvorssen, fundador da Fundação dos Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos e que funciona como centro de marketing para ativistas apoiados pelos Estados Unidos em países que são alvos de Washington para mudanças de regime.

    Embora os interesses de Leopoldo Lopez estivessem perfeitamente alinhados com os de Washington, as comunicações diplomáticas norte-americanas divulgadas por WikiLeaks salientavam as suas tendências fanáticas que acabariam por levá-lo a uma marginalização em relação às tendências populares. Um email tornado público qualifica-o como "uma figura de divisão dentro da oposição (…) frequentemente descrita como arrogante, vingativa e faminta de poder". Outros destacavam a sua obsessão pelos "confrontos de rua" e as suas "opiniões inflexíveis" como fontes de tensão com outros dirigentes da oposição que davam prioridade à unidade e à participação nas instituições democráticas do país.

    Esplorando a seca contra o povo

    Em 2010, o Vontade Popular e os seus apoiantes estrangeiros mobilizaram-se para tirar proveito da maior seca que atingiu a Venezuela em décadas. Profunda escassez de energia elétrica atingiu o país devido à falta de água nas barragens. A recessão econômica global e o declínio dos preços do petróleo agravaram a crise, provocando um alastramento do descontentamento popular.

    Stratfor e Canvas  – conselheiros essenciais de Guaidó e dos quadros anti-governamentais – elaboraram um plano de elevado cinismo para apunhalarem o coração da Revolução Bolivariana. O esquema dependia de um colapso de 70% do sistema elétrico do país, em abril de 2010.

    "Este poderia ser o divisor de águas, pois há pouco que Chávez possa fazer para proteger os pobres do fracasso deste sistema", lê-se num memorando interno da Stratfor. Tais condições provavelmente "teriam o impacto de galvanizar a agitação pública de uma forma que nenhum grupo de oposição poderia esperar alcançar. Naquele momento, um grupo de oposição que melhor soubesse tirar partido da situação e virá-la contra Chávez ficaria mais perto dos seus objetivos", salienta ainda o memorando.

    Por essa altura, a oposição venezuelana recebia as generosas verbas de 40 a 50 milhões de dólares por ano de organizações governamentais dos Estados Unidos, tanto a Usaid como a NED, de acordo com um think tank espanhol, o Instituto Fride. Além disso, extraía vantagens das suas próprias contas bancárias, existentes sobretudo no exterior do país.

    Embora o cenário descrito pela Stratfor não se tenha concretizado, os ativistas do partido Vontade Popular e os seus aliados puseram então de lado quaisquer pretensões de não-violência e aderiram ao plano mais radical para desestabilizar o país.

    Nova "formação", agora no México

    Em novembro de 2010, segundo e-mails obtidos pelos serviços de segurança venezuelanos e apresentados pelo ex-ministro da Justiça Miguel Rodriguez Torres, Guaidó, Goicoechea e vários outros ativistas estudantis participaram num treino de cinco dias no hotel Fiesta Mexicana na Cidade do México. As sessões foram conduzidas pelo Otpor, a instituição para mudanças de regime baseada em Belgrado e apoiada pelo governo dos Estados Unidos. A iniciativa teve a bênção de Otto Reich, um exilado cubano e fanático anti-castrista que trabalhava no Departamento de Estado norte-americano da administração de George W. Bush, e do ex-presidente colombiano de extrema-direita Álvaro Uribe.

    No hotel Fiesta Mexicana, segundo os emails, Guaidó e os seus colegas ativistas traçaram um plano para derrubar o presidente Hugo Chávez gerando o caos violento e permanente nas ruas.

    Três figuras de proa do setor do petróleo – Gustavo Torrer, Elígio Cedeño e Pedro Burelli – terão coberto as despesas no hotel mexicano, no valor de US$ 52 mil . Torrer é um autodenominado "ativista dos direitos humanos" e um "intelectual", cujo irmão mais novo, Reynaldo Torrer Arroyo, é o representante na Venezuela da empresa privada de petróleo e gás mexicana Petroquímica do Golfo, que tem um contrato com o Estado venezuelano.

    Cedeño, por sua vez, é um empresário venezuelano trânsfuga que pediu asilo nos Estados Unidos; e Pedro Burelli é um ex-executivo do JP Morgan e ex-director da empresa estatal petrolífera da Venezuela (PDVSA), que abandonou em 1998 quando Hugo Chávez assumiu o poder. É membro do Comité Consultivo do Programa de Liderança na América Latina da Universidade norte-americana de Georgetown.

    Burelli insistiu que os emails pormenorizando a sua participação foram fabricados e contratou até um detetive particular para alegadamente o comprovar. O investigador declarou que os registos do Google revelaram que os e-mails em causa nunca foram transmitidos.

    Ainda hoje, porém, Burelli não esconde o seu desejo de ver o atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deposto – e até arrastado pelas ruas e sodomizado com uma baioneta, como aconteceu com o dirigente líbio Muammar Khadaffi, vítima de terroristas apoiados pela OTAN.

    As sangrentas "guarimbas"

    A trama do Fiesta Mexicana evoluiu para outro plano de desestabilização revelado numa série de documentos divulgados pelo governo venezuelano. Em Maio de 2014, meios governamentais mostraram provas de uma trama para assassinar Nicolás Maduro encabeçada por Maria Corina Machado, de Miami. Uma dirigente de linha dura, com tendências para a retórica extremista, que tem funcionado como um elo internacional da oposição e foi recebida em 2005 pelo presidente norte-americano George W. Bush.

    "Acho que é hora de reunir esforços; faça os telefonemas necessários e obtenha financiamento para liquidar Maduro, porque o resto irá desmoronar-se", escreveu Corina Machado num email dirigido ao ex-diplomata venezuelano Diego Arria, em 2014.

    Num outro mail, Machado afirmou que a opção violenta teve a bênção do embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, Kevin Whitaker. "Eu já me decidi, a luta continuará até que este regime seja derrubado e entregamo-nos aos nossos amigos no mundo. Se fui a San Cristobal e me expus com a presença na OEA, então nada temo. Kevin Whitaker já reconfirmou o seu apoio e definiu os novos passos. Temos um talão de cheques mais forte do que o do regime para quebrar o anel de segurança internacional".

    Naquele mês de fevereiro, manifestantes estudantis que agiam como tropa de choque da oligarquia exilada ergueram violentas barricadas em todo o país, transformando bairros controlados pela oposição em fortalezas violentas conhecidas como "guarimbas". Enquanto os media internacionais retratavam a revolta como um protesto espontâneo contra o governo de mão de ferro de Maduro, havia provas de que o Vontade Popular orquestrava o espectáculo.

    "Nenhum dos manifestantes usava t-shirts das universidades, mas sim do Vontade Popular e do Primero Justicia", declarou agora um dos participantes nas guarimbas. "Podem ter sido grupos de estudantes, mas os conselhos estudantis eram manipulados pelos partidos de oposição e são responsáveis por eles".

    Interrogado sobre quem eram os líderes do movimento, o mesmo participante nas guarimbas disse: "bem, para ser completamente honesto, eles agora são legisladores".

    A mão de Guaidó

    Quarenta e três pessoas foram mortas durante as guarimbas de 2014. Três anos depois irromperam de novo, provocando destruições massivas nas infraestruturas públicas, o assassínio de apoiantes do governo e a morte de 126 pessoas, muitas das quais chavistas. Em vários casos, partidários do governo foram queimados vivos por gangues armados.

    Guaidó esteve diretamente envolvido nas guarimbas de 2014. Na verdade, twittou um vídeo em que se exibia envergando um capacete e máscara de gás, cercado por figuras embuçadas e armadas que tinham encerrado uma estrada onde decorria um confronto violento com a polícia. Referindo-se à sua participação na Geração 2007, proclamou: "Lembro-me que em 2007 gritávamos 'Estudantes!' Agora gritamos: 'Resistência! Resistência!'"

    Guaidó apagou o twitt, manifestando aparente preocupação com a sua imagem como defensor da democracia.

    Em 12 de Fevereiro de 2014, no auge das guarimbas de então, Guaidó juntou-se a Lopez no palco de um comício do Vontade Popular e Primero Justicia. Numa longa diatribe contra o governo, Lopez instou a multidão a marchar até às instalações da procuradora-geral, Luísa Ortega Diaz. Logo depois, essas instalações foram atacadas por gangues armados que tentaram queimar a procuradora depois de a arrojarem no solo. A vítima denunciou o que qualificou como "violência planejada e premeditada".

    Durante uma entrevista na TV, em 2016, Guaidó desvalorizou as mortes resultantes de "guayas" – prática de guarimba que consiste em estender um cabo de aço atravessando de um lado ao outro de uma estrada para ferir ou matar motociclistas – como "um mito". Estes comentários tentaram branquear uma armadilha mortal que assassinou civis desarmados como Santiago Pedroza e decapitou Elvis Durán, entre outros.

    Esta indiferença e insensibilidade perante a vida humana viria a caracterizar a Vontade Popular aos olhos de grande parte do público, incluindo muitos opositores de Maduro.

    Guaidó não prestou contas à Justiça

    À medida que a violência e a polarização política aumentavam em todo o país, o governo começou a agir contra os dirigentes do Vontade Popular que contribuíram para a situação.

    Freddy Guevara, vice-presidente da Assembleia Nacional e segundo no comando do Vontade Popular, foi o principal líder dos distúrbios de 2017 nas ruas. Foi julgado por esse facto; refugiou-se na Embaixada do Chile, onde permanece.

    Lester Toledo, membro da Assembleia do Estado de Zulia eleito pelo Vontade Popular, foi procurado pela Justiça em setembro de 2016 sob a acusação de financiar o terrorismo e planejar assassínios, em colaboração com o ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe. Toledo fugiu da Venezuela, fez viagens e palestras organizadas por Human Rights Watch, a Casa da Liberdade, apoiada pelo governo norte-americano, o Congresso dos Deputados da Espanha e o Parlamento Europeu.

    Carlos Graffe, outro membro da Geração 2007 treinado pelo Otpor e também membro do Vontade Popular, foi preso em Julho de 2017. Segundo a polícia, estava em seu poder um saco de pregos, explosivos C4 e um detonador. Foi libertado em 27 de dezembro de 2017.

    Leopoldo Lopez, líder de longa data do Vontade Popular, está sob prisão domiciliar, acusado de ter um papel fundamental na morte de 13 pessoas durante as guarimbas de 2014. A Anistia Internacional definiu Lopez como "prisioneiro de consciência" e declarou "insuficiente" a sua transferência para o regime de detenção na residência. Enquanto isto, familiares das vítimas das guarimbas apresentaram uma queixa com mais acusações contra Lopez.

    Yon Goicoechea, o ícone de propaganda dos irmãos Koch e fundador do Primero Justicia, com apoio dos Estados Unidos, foi preso em 2016 pelas forças de segurança, que alegaram ter encontrado um quilo de explosivos no seu veículo. Num artigo no New York Times, Goicoechea protestou contra as acusações como "uma invenção" e afirmou que tinha sido preso simplesmente devido ao seu "sonho de uma sociedade democrática, livre do comunismo". Foi libertado em novembro de 2017.

    David Smolansky, igualmente membro da Geração 2007, treinada pela Otpor, tornou-se o mais jovem presidente de município da Venezuela quando foi eleito em 2013, no subúrbio de El Hatillo. Foi destituído e condenado a 15 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por incitar à violência nas guarimbas.

    Fugiu da prisão, rapou a barba e com óculos escuros entrou no Brasil disfarçado de padre, com uma Bíblia na mão e um rosário ao pescoço. Vive em Washington, onde foi pessoalmente escolhido pelo secretário da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, para dirigir o grupo de trabalho sobre a crise migratória e dos refugiados da Venezuela.

    Em 26 de Julho, Smolansky realizou o que qualificou como "uma reunião cordial" com Elliot Abrams , o criminoso do escândalo Irão-Contras agora escolhido por Trump como enviado especial norte-americano para a Venezuela. Abrams é conhecido por supervisionar a política clandestina dos Estados Unidos para armar esquadrões da morte durante os anos 1980 na Nicarágua, em El Salvador e na Guatemala.

    O papel que agora lhe foi atribuído no golpe venezuelano faz temer o lançamento de outra guerra por procuração banhada em sangue.

    Quatro dias antes, Corina Machado proferira outra ameaça violenta contra Maduro declarando que "se quer salvar a vida tem de perceber que o seu tempo acabou".

    O colapso do Vontade Popular devido à violência da campanha de desestabilização, alienou grandes setores de público apoiante e feriu parcialmente a sua liderança.

    Presidências sem eleições

    Guaidó continuara como uma figura relativamente menor, tendo passado a maior parte dos nove anos de carreira na Assembleia Nacional como membro suplente. Oriundo de um dos Estados menos populosos da Venezuela, Guaidó ficou em segundo lugar na sua lista das eleições parlamentares de 2015, conquistando apenas 26% para assegurar o seu lugar na Assembleia Nacional. Na verdade, até agora, talvez as suas nádegas fossem mais identificáveis do que o seu rosto.

    Guaidó é conhecido como presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, mas nunca foi eleito para o cargo. Os quatro partidos da oposição que compõem a Mesa de Unidade Democrática na Assembleia decidiram estabelecer uma presidência rotativa. A vez do Vontade Popular era a seguinte, mas o seu presidente, Leopoldo Lopez, está em prisão domiciliar; o segundo na chefia, Freddy Guevara, está refugiado na Embaixada do Chile; o seguinte na ordem eleitoral seria Juan Andrés Mejía mas, por razões que não são claras, Juan Guaidó foi o selecionado.

    "Há uma hipótese que pode explicar a ascensão de Guaidó", admite Diego Sequera, analista venezuelano. "Mejía é de classe alta, estudou numa das universidades privadas mais caras da Venezuela e é difícil popularizá-lo, ao contrário de Guaidó", diz. "Por um lado, Guaidó tem características mestiças comuns, como a maioria dos venezuelanos, e parece mais um homem do povo. Além disso, Mejía não foi exposto na midia, não poderia ser construído a partir do nada.

    Em dezembro de 2018, Guaidó passou clandestinamente a fronteira e foi a Washington, à Colômbia e ao Brasil coordenar o plano de manifestações em massa durante a posse do novo mandato de Maduro. Na noite anterior à cerimónia de posse de Maduro, o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, e a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, telefonaram a Guaidó para lhe manifestarem o seu apoio.

    Uma semana depois, o senador Marco Rubio, o senador Rick Scott e o congressista Mario Diaz-Balart – todos oriundos da base de exilados cubanos de direita – juntaram-se ao presidente Trump e ao vice-presidente Pence na Casa Branca. A pedido deles, Trump concordou que se Guaidó se proclamasse presidente ele apoiaria.

    O secretário de Estado, Michael Pompeo, encontrou-se pessoalmente com Guaidó em 10 de Janeiro, segundo o Wall Street Journal. No entanto, Pompeo não conseguiu pronunciar o nome de Juan Guaidó quando o mencionou numa conferência de imprensa em 25 de Janeiro, referindo-se a ele como "Juan Guido".

    No dia 11 de janeiro, a página da Wikipedia de Guaidó tinha sido editada 37 vezes, o que revela um esforço para moldar uma figura até então mal conhecida e que agora se tornara um quadro nas diligências de Washington para mudar o governo da Venezuela. No final, a supervisão editorial da sua página foi remetida ao Conselho de Elite de "enciclopedistas" da Wikipedia, que o definiu como "presidente contestado da Venezuela".

    Guaidó pode ter sido uma figura obscura, mas a sua combinação de radicalismo e oportunismo satisfez as exigências de Washington. "Esta peça interna estava em falta", disse um membro da administração Trump a propósito de Guaidó. "Ele era a peça de que necessitávamos para que a nossa estratégia fosse coerente e completa".

    "Pela primeira vez", disse William Brownfield, o embaixador norte-americano na Venezuela, "temos um líder da oposição que está claramente a dar sinal às Forças Armadas e à polícia de que pretende mantê-las ao seu lado".

    Venha a "intervenção humanitária"

    No entanto, o partido da Vontade Popular de Guaidó criou as suas tropas de choque das guarimbas, que provocaram a morte a polícias e cidadãos comuns. O próprio Guaidó vangloriou-se da sua participação em violentas arruaças. Agora, para conquistar os corações e as mentes dos militares e da polícia, Guaidó teve de apagar essa história banhada em sangue.

    Em 21 de janeiro, um dia antes do golpe, a esposa de Guaidó divulgou um discurso em vídeo no qual apelou aos militares para se levantarem contra Maduro. A sua performance foi tosca e desinspirada, ecoando as perspectivas políticas limitadas do marido.

    Numa conferência de imprensa perante os seus apoiantes, quatro dias depois, Guaidó anunciou a sua solução para a crise: a realização de "uma intervenção humanitária".

    Enquanto aguarda assistência direta, Guaidó continua a ser o que sempre foi – um projeto de estimação das cínicas forças externas. "Não interessa se cai e se queima com todas estas desventuras", declarou Sequera sobre a figura do golpe. "Para os americanos, ele é descartável".

    (1) Tem uma conotação essencialmente desportiva mas, em geral, significa o conjunto das oito universidades de elite do Nordeste dos Estados Unidos: Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Pensilvânia e Yale

    (2) Professor de Ciências Políticas da Universidade de Massachusetts defensor da "desobediência política" e da "não violência" cujas teses têm sido aproveitadas para desestabilizar regimes que o establishment norte-americano pretende derrubar. As instituições por ele fundadas são financiadas por organismos da CIA, como a NED, sobretudo quando se trata organizar operações do tipo da que ocorre na Venezuela.

    [*] Jornalista premiado, autor de vários livros, entre eles o best-seller Gomorra Republicano, e documentários, designadamente Killing Gaza. Fundador, em 2015, de The Grayzone Project .

    [**} Jornalista e cineasta; autor de documentários e podcasts com ampla distribuição, designadamente sobre o conflito israelo-palestino.

  • Autoridades espanholas prenderam, por acusações de narcotráfico, na última sexta-feira (12), Hugo Carvajal, general que declarou sua lealdade ao líder da oposição Juan Guaidó.

    Segundo informou uma porta-voz da Polícia Nacional Espanhola a prisão ocorreu devido a um mandado de prisão emitido pelos Estados Unidos.

    Carvajal havia fugido para a Espanha depois de ser acusado pelo governo venezuelano de vários crimes, acusações que ele atribuía a “perseguição política”.

    Em 21 de fevereiro, o general fugitivo postou um vídeo em sua conta no Twitter em que reconhecia como presidente no comando da Venezuela o autoproclamado Juan Guaidó, fantoche do Governo Trump.

    Nesse vídeo, Carvajal leu uma declaração na qual encorajou a liderança militar a abandonar Nicolás Maduro: “Depende de vocês, irmãos de armas, como isso termina. Não tenham dúvidas de que este é o lado certo da história.”

     Em resposta, Maduro expulsou-o das Forças Armadas e despojou-o do posto de Major General. Carvajal também foi acusado pelo governo venezuelano de “atos de traição contra a pátria”.

    Com pouca influência interna e sem serventia para o imperialismo, o pedido de prisão emitido pelos EUA visa tentar atingir a Revolução Bolivariana com falsas acusações de ligação ao narcotráfico, a partir de algo próximo a uma “delação premiada” na qual Carvajal envolva o governo chavista, tática que contará com apoio midiático, mas que já nasce desmoralizada pela própria origem.

    Fonte: Pátria Latina

  • Neste sábado (23) ocorreu uma batalha considerada decisiva para definir quem realmente detém o poder na Venezuela e o resultado foi uma clara vitória dos chavistas e do presidente Nicolás Maduro. A “ajuda humanitária” proveniente dos EUA e do Brasil não atravessou as fronteiras do Brasil e da Colombia no que a grande mídia chamou de Dia D da oposição e de Juan Guaidó, o golpista que, orientado pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, se autoproclamou presidente da Venezela há 31 dias.

    Foi uma derrota dos EUA, que estão por trás da iniciativa golpista e pressionaram fortemente as Forças Armadas Bolivarianas a apoiar o lacaio Guaidó, com ajuda de governos da extrema direita, como os de Jair Bolsonaro no Brasil e Inván Duque Márquez na Colômbia. A suposta “ajuda humanitária”, rejeitada pelo governo chavista, é na verdade uma versão moderna do Cavalo de Troia. Tinha o objetivo de legitimar o golpe, mas fracassou.

    Petróleo e China

    O episódio demonstrou que o golpe não tem o respaldo da população venezuelana e que o comando do país continua nas mãos de Nicolás Maduro, que conta com o apoio da Corte Suprema, das Forças Armadas e da Assembleia Constituinte. A força de Guaidó, e do governo paralelo que busca estabelecer, não está no interior do país. Ele é apoiado pela burguesia, setores da pequena burguesia e dos latifundiários, mas não tem grande influência na classe trabalhadora e nos segmentos mais pobres.

    A força do golpista, sua inspiração e orientação, emanam de Washington, que agora exibe governos capachos em países estratégicos do continente americano, como Brasil e Colômbia. Os fatos sugerem que o projeto imperialista dos EUA, que visa simultaneamente o controle das maiores reservas de petróleo do mundo e a contenção da China, encontra forte resistência interna, sobretudo nas Forças Armadas Bolivarianas, que não se deixaram seduzir pelo canto de sereia imperialista e estão imbuídas de um forte sentimento patríótico.

    Além disto, embora a mídia hegemônica alardeie o contrário, o governo Maduro não está isolado. Tem o apoio da China, que é a maior potência comercial e financeira do mundo, e da Rússia, assim como de dezenas de outros países que não estão sintonia com a política imperialista dos EUA, que detonou uma guerra econômica contra a Venezuela entremeada de recorrentes amealas de intervenção miliatar.

    A Rússia acaba de enviar um carregamento de insumos e equipamentos médicos como parte da ajuda para enfrentar o cerco econômico dos Estados Unidos. A ajuda humanitária do governo russo chegou ao país na quinta-feira (21), ao contrário do Cavalo de Troia dos EUA, que seria manipulado politicamente por Juan Guaidó, mas foi detido nas fronteiras da Venezuela com o Brasil e a Colômbia pela Força Armada Nacional Bolivariana.

    Ofensiva imperialista

    Conforme notou o presidente Maduro o atual líder da oposição na Venezuela não passa de uma “marioneta vendida ao império”. A real intenção da “intervenção humanitária” dos EUA (como sugere a propaganda enganosa que já foi usada para destruir Líbia, Iraque e Síria) nada tem a ver com democracia e o bem estar do povo venezuelano, muito pelo contrário.

    O objetivo é o petróleo e, concomitantemente, a tentativa de impedir a crescente expansão da influência da China na região, que decorre em boa medida espontaneamente do crescimento industrial associado à globalização do comércio e dos investimentos, setores em que os chineses superaram os estadunidenses.

    Nuna será demais lembrar que os EUA estiveram por trás dos golpes militares que marcaram a história recente da América Latina (1964 no Brasil, 1973 no Chile, 1975 na Argentina, entre outros, além dos golpes "brancos", estilo século 21, contra Zelaya, em Honduras - 2009 -, Fernando Lugo, no Paraguai - 2012 -, e Dilma no Brasil - 2016).

    Os interesses imperialistas de Washington são dialmetralmente opostos aos dos povos e nações da região, que anseiam o desenvolvimento econômico soberano, o respeito ao princípio da autodeeterminação dos povos, a paz e a integração solidária. A vitória de Maduro merece ser celebrada pelas forças democráticas e progressistas no Brasil e em todo o mundo. É preciso resistir à feroz ofensiva do imperialismo, que ainda está longe do capítulo final.

    Umberto Martins